Primeiros passos

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Local: Brasília, DF, Brazil

Quem sou eu? Boa pergunta. Deixe-a flutuar por enquanto... Who am I? Good question. Let it float for a while...

21 maio 2006

mudando...

Comecei este blog aqui como uma experiência nova. Gostei de "postar", mas achei ainda mais fácil usar o multiply. Estou transferindo-me para lá. Visite-me em http://lucero.multiply.com .

15 maio 2006

Dez minutos

Davi tinha dez minutos. Nove. Tudo o que queria era expressar, pôr para fora algo que carrega mas nem sabe bem o quê. Angústia? Medo? Ódio? Hmmm, Davi não sabe definir o que sente, muito menos expressar em dez minutos.
Sete. Davi precisa falar, mas não consegue. Não tem com quem! E quem vai querer ouvi-lo? Recusa-se a pagar um analista. É como se fosse um amigo pago, uma "prostiga" - prostituta amiga.
Seis. É como se tivesse mergulhando e o marcador indicasse o tempo restante de permanência sob a água. Cinco. Davi precisa olhar tudo, ver cada detalhe, observar. Não dá prá fazer isso e ainda esperar que o cara se expresse! Que se dane!
Quatro. Davi retoma o fôlego, como que se preparando para o inevitável abismo de escuridão e dor. Nada mais vê adiante dos quatro minutos que lhe restam para deixar registro do que possa querer.
Três. O senhor tempo, inexorável, bandido, cruel, avança sem remorso, tal como um bull-dozer alisando o terreno. Fazendo de tudo tábula rasa. Um novo canteiro, uma terra limpa para ser cultivada.
Dois minutos. Davi pensa que deveria estar desesperado, mas não é o que sente.
Um. Segundos o aproximam do fim. Um a um. Apesar de toda a sua aflição, cada milésimo de segundo continua andando na mesma velocidade, como se Davi, sua vida, seus costumes, o registro de sua existência não tivessem a menor importância.
Zero. Tempo esgotado. Davi perde a chance de se expressar em dez minutos.
E você, quer tentar?

14 maio 2006

Johnny


Johnny entrou de sola. Não estava nessa para brincar. E nem conseguia imaginar como seria diferente. Típico de quem se acha auto-suficiente e sabichão, achou que levaria a todos na conversa, fácil, fácil. Só que não foi bem assim. E Johnny viu-se numa situação de total desespero. Sozinho, sem referências, querendo dar um CTRL-ATL-DEL. Mas não podia recuar, nem apagar o que começara. Tinha que aceitar a derrota.
Mas Johnny não sabia o que era derrota. Não tinha registros. Comigo? Nãaaao, comigo é outra história. Pensam que vão me passar para trás?
Imagine uma reunião de cobras-criadas. Todos safos, preparados e cientes de seus interesses e dos resultados que pretendem. Imagine um pobre coitado designado para apresentar "umas idéias novas". Um ser triturado. Era assim que Johnny sentiu-se ao final. Aquela reunião era como uma máquina de fazer lingüiça: você entrava um homem e saía uma lingüiça.
Há que ter uma compensação a tanto desgaste. Há que se fazer uma reflexão. Afinal, qual era mesmo o que Johnny queria lá? "Ganhar" a reunião e provar (para quem?) que era fodão mesmo? Ou cumprir uma ordem superior de defender idéias que não eram necessariamente suas, sobre as quais não havia refletido em profundidade? Cumprir ordem para fazer jus ao seu pagamento. Ou seja, mais uma vez, é "tudo por dinheiro". Não fosse a necessidade de dinheiro, Johnny poderia estar fazendo qualquer outra coisa, menos estar naquela estressante reunião.
Mas agora não é hora de pensar nisso, é, Johnny? Não dá para parar a máquina, pedir para descer. Ou dá? Não sei, nunca se sabe, ninguém sabe. Johnny sente-se espremido, fuzilado, triturado em seus valores, princípios - se é que lembra de alguns deles. Só lembra que costumava refletir sobre esses tais "princípios" há anos. Mas eram outros dias. A engrenagem do trabalho, do afã de ganhar dinheiro, é que verdadeiramente move Johnny - e de resto a mundo. E com a engrenagem em funcionamento, operada pela tecnocracia, não há como descer. Não há como parar. Johnny, há salvação fora da engrenagem? Há? Dá prá parar e pensar nisso por uns segundos sequer?

meu primeiro blog

Depois de muito resistir, lá vai...
afinal, todos temos uma primeira vez, não é mesmo?
Começo hoje meu primeiro blog. Aqui, quero compartilhar com o cyberspace (seja lá que diabo for isso) idéias, não necessariamente minhas, não necessariamente verídicas, não necessariamente lógicas. Para quem tiver paciência de ler, uma advertência: não acredite em tudo. Pretendo misturar, fazer disto uma zona total, meio ficção, meio realidade, meio mentira, meio verdade, meio eu, meio criação. Afinal, ao ver por quantas andam nosso país e nosso planeta, parece urgente dizer: É PRECISO CRIAR! É PRECISO RE-CRIAR! RECRIAR NOSSO MUNDO DO ZERO! Porque não há muita coisa por aí que se salve, né não?
Hum, meio too-much, né? Se começar assim, não vai longe...
Vamos ver.